A Samarco informou que realizou, em 11 de setembro de 2026, o repasse de R$ 421 milhões a 45 municípios da bacia do Rio Doce. O valor representa a primeira parcela dos Termos de Investimentos Estruturantes firmados entre a mineradora e as prefeituras. O compromisso prevê o pagamento total de R$ 2,1 bilhões, distribuídos em parcelas ao longo dos próximos anos.
Segundo a Samarco, os recursos poderão ser destinados a áreas como saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida. A aplicação, no entanto, deverá seguir mecanismos de governança, prestação de contas e acompanhamento por órgãos competentes e pelas comunidades.
Recursos fazem parte dos investimentos estruturantes
O repasse está relacionado ao conjunto de medidas previstas para municípios da bacia hidrográfica do Rio Doce. A proposta é permitir que as administrações municipais utilizem os valores em projetos capazes de produzir efeitos duradouros sobre os serviços públicos e as condições de desenvolvimento local.
A primeira parcela de R$ 421 milhões não representa a totalidade do compromisso anunciado. Conforme a empresa, os R$ 2,1 bilhões serão pagos de forma parcelada. A execução dos projetos e a definição das prioridades dependem dos municípios beneficiados, dentro das regras estabelecidas nos termos firmados com a Samarco.
Como os recursos podem alcançar diferentes áreas da administração pública, a transparência será um dos pontos centrais do acompanhamento. A identificação dos projetos escolhidos, dos cronogramas e dos resultados obtidos tende a ser essencial para que a população consiga verificar como o dinheiro está sendo aplicado em cada cidade.
Relação com a reparação do Rio Doce
O repasse ocorre no contexto do processo de reparação relacionado ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em Minas Gerais. De acordo com o Governo de Minas Gerais, o acordo de reparação considera danos provocados a comunidades, rios, ecossistemas e à economia de municípios localizados na bacia do Rio Doce.
O desastre afetou áreas de Minas Gerais e do Espírito Santo, com impactos associados ao curso do Rio Doce e às comunidades que dependem da região. Nesse cenário, os investimentos estruturantes têm uma finalidade diferente das indenizações individuais: são recursos voltados a projetos municipais e a ações com potencial de melhorar a estrutura e os serviços oferecidos à população.
A governança do acordo também é apresentada como elemento necessário para organizar a execução das medidas e acompanhar o cumprimento das obrigações. Em publicação sobre o tema, a BHP destacou o fortalecimento da governança do Novo Acordo do Rio Doce, que reúne iniciativas relacionadas à reparação dos danos provocados pelo rompimento.
Indenizações e ações de reparação
Em sua página de acompanhamento da reparação, atualizada em 22 de setembro de 2026, a Samarco afirma que, até agosto do mesmo ano, R$ 18,4 bilhões haviam sido pagos em indenizações e auxílios financeiros a mais de 355 mil pessoas. Os números são apresentados pela própria companhia e incluem medidas financeiras destinadas a pessoas afetadas.
A empresa também informa a realização de ações ambientais e de recuperação da bacia. Esses dados integram o balanço divulgado pela Samarco sobre o Novo Acordo do Rio Doce e devem ser considerados dentro do conjunto mais amplo de medidas de reparação, que envolve famílias, municípios, meio ambiente e atividades econômicas atingidas.
Para os 45 municípios que receberam a primeira parcela, a próxima etapa será transformar o repasse em projetos concretos. A escolha das prioridades, a contratação das obras ou serviços e a prestação de contas deverão indicar de que maneira os recursos contribuirão para a recuperação e o desenvolvimento das cidades da bacia.
O acompanhamento público será importante para medir os resultados do acordo. Além da fiscalização institucional, a participação das comunidades pode ajudar a verificar se os investimentos respondem às necessidades locais e se os projetos avançam conforme os cronogramas apresentados pelas prefeituras.