Com Mateus Simões no comando do estado, disputa para 2026 já reúne pré-candidatos de diferentes partidos, enquanto avaliação da gestão anterior segue dividida entre os mineiros.
A disputa pelo governo de Minas Gerais para as eleições deste ano começou a tomar forma logo após a saída de Romeu Zema do Palácio Tiradentes, no fim de março, para se dedicar à pré-candidatura à Presidência da República. Desde então, o vice-governador Mateus Simões assumiu o comando do estado, e o cenário político mineiro passou a girar em torno de duas questões centrais: quem vai suceder Simões nas urnas e como a herança da gestão Zema deve pesar nessa disputa. Entender esses dois pontos ajuda o eleitor mineiro a acompanhar os próximos meses de campanha com mais clareza.
Como ficou o comando do estado após a saída de Zema
Romeu Zema renunciou ao cargo de governador de Minas Gerais para concorrer à Presidência da República, e a Assembleia Legislativa deu posse ao então vice-governador Mateus Simões. No discurso de posse, Simões elogiou Zema pela transição e afirmou que sua rotina mudaria pouco, comprometendo-se a percorrer todas as regiões de Minas, chegando a transferir provisoriamente a sede administrativa do governo a cada uma delas. Gazeta do Povo
Simões tem 43 anos, iniciou a carreira política no partido Novo, foi secretário-geral do estado no primeiro mandato de Zema e é advogado, com mestrado em Direito Empresarial, além de ter atuado como professor universitário. Ele deve concorrer nestas eleições a mais quatro anos como governador de Minas Gerais, o que o coloca hoje como um dos principais nomes da disputa estadual.
Quem são os pré-candidatos ao governo mineiro
A disputa para o Palácio Tiradentes já reúne nomes de diferentes espectros partidários. Até o momento, os pré-candidatos ao governo de Minas incluem Mateus Simões, do PSD, Gabriel Azevedo, do MDB, Vittorio Medioli, do PL, Jarbas Soares Júnior, do PSB, Alexandre Kalil, do PDT, Ben Mendes, da Missão, Túlio Lopes, do PCB, e Maria da Consolação, do PSOL. A pluralidade de candidaturas já anuncia um pleito competitivo, com legendas de centro, direita e esquerda disputando espaço no eleitorado mineiro.
Um dado chama atenção nesse cenário: mesmo tendo deixado o comando do estado para tentar a Presidência, o próprio Zema avaliou que o PT não deve disputar o governo de Minas Gerais em 2026, apontando que o legado da gestão do ex-governador petista Fernando Pimentel ainda seria fator de desconfiança entre parte do eleitorado. Essa leitura, vinda de quem sucedeu justamente Pimentel no comando do estado, reforça como a disputa estadual segue conectada à disputa nacional pela Presidência. O TEMPO
Como fica a avaliação da gestão anterior
A herança política de Zema também segue sendo debatida enquanto a corrida sucessória avança. Uma pesquisa DATATEMPO mostrou que o ex-governador encerrou o mandato à frente do governo estadual com 47,1% de aprovação entre o eleitorado mineiro, enquanto a desaprovação somava 45,8%, configurando um empate técnico considerando a margem de erro do levantamento. Já uma pesquisa Genial/Quaest divulgada após a saída de Zema do cargo apontou aprovação de 52% entre os mineiros para a gestão do ex-governador, contra 41% de desaprovação, sinalizando certa estabilidade na avaliação mesmo após o fim do mandato. O TEMPOEstado de Minas
Nem todas as vozes concordam com essa leitura mais favorável. O deputado federal Aécio Neves, que governou Minas Gerais por oito anos, entre 2003 e 2010, avaliou publicamente que Zema deixa o governo “sem deixar legado”, criticando o distanciamento do ex-governador em relação ao debate nacional durante seu mandato. A declaração reforça que a avaliação da gestão Zema deve seguir sendo um dos pontos de disputa discursiva entre os candidatos ao longo da campanha estadual.
Com o quadro eleitoral ainda em formação e alianças partidárias em negociação, a corrida pelo governo de Minas Gerais promete ser um dos capítulos mais acompanhados da política estadual em 2026. A definição de vice, o posicionamento de partidos maiores como MDB e PSD, e o desempenho de Simões à frente da gestão nos próximos meses devem pesar diretamente na configuração final das candidaturas até o período oficial de convenções partidárias.
Fontes consultadas:
- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/zema-renuncia-e-mateus-simoes-assume-governo-de-mg/
- https://www.otempo.com.br/eleicoes/2026/presidentes/2026/7/10/pt-nao-disputara-o-governo-de-minas-diz-zema
- https://www.otempo.com.br/eleicoes/2026/pesquisas/2026/3/25/datatempo-zema-deixou-o-governo-de-minas-com-47-1-de-aprovacao-45-8-desaprovam-gestao
- https://www.em.com.br/politica/2026/04/7407501-zema-e-aprovado-por-52-em-minas-apos-deixar-o-governo.html
- https://www.otempo.com.br/eleicoes/2026/2026/7/2/aecio-desaprova-governo-zema-em-minas-nao-deixou-legado