Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

O controle de qualidade por trás de cada mamografia

Isaac Norvale
Isaac Norvale
5 Min de leitura

Duas mamografias feitas no mesmo dia, na mesma paciente, podem ter valores muito diferentes para o diagnóstico. Conforme observa o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a diferença raramente está na tecnologia anunciada pelo serviço e quase sempre está em processos que a paciente não vê: calibração do aparelho, controle da dose de radiação, testes periódicos e preparo da equipe. Entender o controle de qualidade ajuda a explicar por que nem todo exame de mama oferece a mesma segurança.

Um exame que depende de detalhes

A mamografia procura alterações muito pequenas, como microcalcificações com menos de um milímetro e distorções discretas na arquitetura do tecido. Uma variação mínima no contraste ou na nitidez da imagem pode esconder exatamente o achado que permitiria um diagnóstico precoce.

Por esse motivo, o mamógrafo é um dos equipamentos de radiologia com exigências técnicas mais rigorosas. Pequenas falhas que passariam despercebidas em uma radiografia de tórax comprometem a leitura de uma mama, sobretudo nas mais densas. Segundo Vinicius Rodrigues, a exigência é proporcional ao objetivo do exame, já que o rastreamento busca justamente o que ainda é pequeno demais para ser sentido.

Testes que garantem imagem e dose adequadas

O controle de qualidade envolve testes diários, semanais, semestrais e anuais. Alguns são feitos pela própria equipe técnica, como a avaliação de imagens de um objeto padronizado, chamado simulador, que reproduz estruturas semelhantes às lesões de mama. Se o aparelho não consegue mostrar essas estruturas, há algo errado antes mesmo de a primeira paciente ser examinada.

Outros testes exigem físicos médicos e medem a dose de radiação, a exatidão da compressão e o funcionamento do sistema de exposição automática. No Brasil, as regras para serviços de radiodiagnóstico são definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e o Programa Nacional de Qualidade em Mamografia, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer, avalia imagens e doses dos serviços participantes.

A equipe é parte do equipamento

O posicionamento correto da mama tem tanto peso quanto a calibração do aparelho. Se parte do tecido fica fora da imagem, uma lesão pode simplesmente não ser registrada. Técnicos treinados sabem como incluir a região próxima à axila e como ajustar a compressão para cada paciente.

A leitura também passa por avaliação. Serviços com controle de qualidade acompanham indicadores como taxa de reconvocação, proporção de biópsias com resultado maligno e número de cânceres detectados a cada mil exames. Na interpretação de Vinicius Rodrigues, a análise desses números permite identificar se o radiologista está chamando pacientes demais ou deixando passar alterações relevantes.

Monitores e sistemas também passam por revisão

Na mamografia digital, a imagem é avaliada em monitores de alta resolução, específicos para o exame. Uma tela com brilho ou contraste inadequados pode reduzir a visibilidade de microcalcificações, mesmo que o arquivo original esteja perfeito. Por isso, os monitores de laudo também seguem rotinas de calibração.

O armazenamento das imagens completa o processo. Guardar os exames anteriores em sistema acessível garante que o radiologista possa compará-los com o atual, recurso que aumenta a precisão da leitura e reduz convocações desnecessárias.

Como a paciente pode avaliar o serviço?

Algumas informações estão ao alcance de quem vai fazer o exame. Perguntar se o serviço participa de programas de qualidade, se possui certificação de entidades da área e se o laudo é emitido por radiologista com experiência em mama são formas simples de avaliação.

Levar mamografias anteriores e manter o rastreamento no mesmo serviço, sempre que possível, também ajuda. Sob a ótica de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a qualidade do rastreamento do câncer de mama depende de uma cadeia em que cada etapa, do aparelho ao laudo, seja verificada com regularidade, e não apenas da existência do mamógrafo.

 

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