Fredy da Silva Gonçalves Bento

Quando o empresário já não conhece toda a equipe

Isaac Norvale
Isaac Norvale
5 Min de leitura

Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário com mais de duas décadas de atuação em diferentes setores, possui uma trajetória que ajuda a compreender as mudanças nas relações profissionais durante o crescimento de uma empresa. Em pequenos negócios, o proprietário costuma conhecer pessoalmente cada funcionário, acompanhar suas dificuldades e participar diretamente da rotina de trabalho. Entretanto, quando a organização passa a reunir dezenas de colaboradores, manter essa proximidade se torna mais desafiador.

Por que o crescimento modifica as relações internas?

Em equipes pequenas, muitas informações circulam por meio de conversas informais. O proprietário consegue perceber mudanças no comportamento dos funcionários, acompanhar dificuldades individuais e esclarecer dúvidas diretamente. Essa dinâmica favorece a proximidade, mas depende de uma quantidade relativamente limitada de pessoas. Além disso, a convivência cotidiana facilita a identificação de problemas antes que eles comprometam o andamento das atividades ou o relacionamento entre os profissionais.

 

Quando novos profissionais são contratados, surgem departamentos, turnos e diferentes níveis de responsabilidade. O contato direto com todos deixa de acontecer diariamente, enquanto parte das informações passa a circular por supervisores e responsáveis pelas equipes. A comunicação, antes espontânea, precisa incorporar procedimentos mais organizados. Reuniões periódicas, canais internos e orientações padronizadas podem contribuir para reduzir desencontros e garantir que informações importantes cheguem aos diferentes setores.

 

A trajetória de Fredy Restrito, iniciada no comércio de roupas no bairro Parque Bitarú, em São Vicente, oferece um contraste com operações empresariais de maior dimensão. O crescimento modifica não apenas a quantidade de funcionários, mas também as condições necessárias para preservar relações profissionais consistentes. Nesse processo, estabelecer práticas de comunicação e acompanhamento ajuda a manter a integração entre as equipes, mesmo quando o contato pessoal com o proprietário se torna menos frequente.

O distanciamento significa perder a cultura da empresa?

A cultura organizacional reúne comportamentos, valores e práticas que influenciam a maneira como as pessoas trabalham. Em pequenos empreendimentos, essas referências costumam ser transmitidas diretamente pelo fundador, por meio de orientações e exemplos cotidianos. Essa proximidade facilita a compreensão das expectativas da liderança e permite que determinados padrões de comportamento sejam assimilados naturalmente durante a rotina profissional.

 

Entretanto, quando a equipe aumenta, depender exclusivamente dessa convivência pode provocar interpretações diferentes sobre as prioridades da organização. Um setor pode valorizar principalmente a rapidez, enquanto outro considera a redução de custos mais importante, mesmo quando essas escolhas prejudicam a qualidade do atendimento. Por isso, como destaca Fredy da Silva Gonçalves Bento, estabelecer diretrizes claras e promover o alinhamento entre as equipes contribui para preservar a coerência das decisões e fortalecer uma cultura compartilhada.

Como manter a proximidade sem acompanhar tudo?

Uma alternativa consiste em desenvolver canais de comunicação que permitam aos funcionários apresentar dúvidas, sugestões e dificuldades. Reuniões periódicas, conversas individuais com lideranças e mecanismos de avaliação interna podem contribuir para identificar problemas antes que comprometam o ambiente de trabalho. Essas iniciativas também favorecem a participação dos profissionais nas discussões sobre melhorias operacionais e ajudam a aproximar diferentes níveis da organização.

 

Na Litoral Mobilidade, empresa dirigida por Fredy da Silva Gonçalves Bento, a operação reúne mais de 40 colaboradores e atividades relacionadas a vendas, distribuição, importação e assistência técnica. Uma estrutura com funções distintas exemplifica a importância de estabelecer formas de comunicação compatíveis com as necessidades de cada equipe. A circulação adequada de informações entre esses setores pode facilitar a resolução de demandas e reduzir dificuldades provocadas pela falta de alinhamento entre as atividades.

 

Entretanto, criar canais não significa garantir que as informações serão consideradas. Os funcionários precisam compreender como suas manifestações são recebidas e quais encaminhamentos podem ocorrer. Quando as sugestões desaparecem sem retorno, a comunicação tende a perder credibilidade, independentemente das ferramentas utilizadas. Oferecer respostas claras, inclusive quando uma proposta não pode ser implementada, contribui para fortalecer a confiança e demonstrar respeito pela participação dos colaboradores.

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