Trotes no Samu em MG passam de 92 mil e acendem alerta para quem precisa de socorro

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Ligações falsas ao 192 ocupam linhas de emergência, atrasam atendimentos e podem custar minutos decisivos em Minas Gerais

Em Minas Gerais, uma ligação feita “por brincadeira” ao Samu 192 pode ter efeito muito mais grave do que parece. O Governo de Minas e a Secretaria de Estado de Saúde acenderam um alerta depois que o serviço registrou cerca de 92 mil chamadas falsas ou indevidas em 2025. O número chama atenção porque o Samu é acionado justamente quando alguém sofre um acidente, passa mal, sente dor no peito, tem falta de ar, convulsão, suspeita de AVC ou outra situação em que cada minuto conta. Para o mineiro, o problema é simples de entender e difícil de ignorar: enquanto uma equipe tenta filtrar uma ligação sem necessidade, outra pessoa pode estar esperando atendimento real. A dúvida que fica é prática: quando se deve ligar para o 192 e por que um trote pode atrapalhar tanto a rede de urgência?

Por que os trotes ao Samu preocupam tanto em Minas Gerais

O Samu 192 funciona como porta de entrada para urgências médicas fora do hospital. Quando alguém liga, a central precisa identificar o caso, confirmar endereço, avaliar sintomas e decidir se envia uma ambulância, orienta a família ou direciona o paciente para outro serviço de saúde. Esse processo exige atenção rápida e informações corretas. Por isso, uma ligação falsa não ocupa apenas alguns segundos do telefone. Ela consome tempo de atendentes, técnicos, médicos reguladores e, em alguns casos, pode até mobilizar uma viatura que deveria estar disponível para uma emergência verdadeira.

Em um estado do tamanho de Minas Gerais, o impacto se espalha por realidades muito diferentes. O mesmo número 192 atende moradores de grandes cidades, como Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem e Juiz de Fora, mas também famílias em municípios menores, distritos e áreas rurais. Segundo o IBGE, Minas tem mais de 21,3 milhões de habitantes e 853 municípios, o que torna a logística de urgência um desafio permanente. Quando uma chamada indevida entra no sistema, ela aumenta a pressão sobre uma rede que já precisa lidar com distâncias, trânsito, demanda hospitalar e diferenças regionais. No dia a dia, isso pode significar demora para quem sofreu queda, acidente de moto, mal súbito ou piora súbita de uma doença.

O alerta da Secretaria de Saúde também tem um componente educativo. Muita gente ainda confunde o Samu com um serviço de transporte comum ou liga para tirar dúvidas que poderiam ser resolvidas em uma unidade básica, farmácia, posto de saúde ou canal administrativo. Em outros casos, há ligações feitas por crianças, adolescentes ou adultos que tratam o telefone de emergência como brincadeira. O problema é que o 192 não é uma central qualquer. É uma linha pública criada para salvar vidas, e o mau uso prejudica toda a comunidade.

Quando o mineiro deve ligar para o 192 — e quando não deve

O Samu deve ser acionado quando há risco à vida, sofrimento intenso ou possibilidade de sequela se o atendimento demorar. Entram nessa lista situações como dor forte no peito, suspeita de infarto, sinais de AVC, dificuldade para respirar, desmaio, convulsão, acidentes com vítimas, queimaduras graves, afogamento, choque elétrico, intoxicação, trabalho de parto com risco, ferimentos graves e crises em que a pessoa não consegue se deslocar com segurança. Nesses casos, a orientação é ligar para o 192, responder às perguntas com calma e informar endereço completo, ponto de referência, idade aproximada da vítima e o que aconteceu.

Também é importante entender que nem toda urgência aparente precisa de ambulância. Uma febre sem sinais de gravidade, dor leve, pedido de receita, falta de remédio, busca por consulta ou dúvida sobre resultado de exame não costumam ser motivo para acionar o Samu. Nessas situações, o caminho pode ser a Unidade Básica de Saúde, uma UPA, o posto mais próximo ou outro serviço indicado pela rede municipal. Essa diferença importa porque o Samu não é apenas um telefone: ele organiza recursos escassos. Quando uma ambulância sai para um chamado sem necessidade, outra ocorrência real pode ficar na fila.

Para quem mora em Minas, especialmente em bairros afastados, condomínios, comunidades rurais ou estradas, a ligação correta ajuda a equipe a chegar mais rápido. Informações vagas, brincadeiras ou desligamentos repetidos podem atrasar a triagem. A orientação mais segura é manter o telefone por perto, seguir o que o atendente disser e não tentar “testar” o sistema. Em emergências, o atendente pode orientar medidas simples até a chegada da ambulância, como posicionamento da vítima, cuidados para não mover alguém após trauma ou atenção aos sinais de respiração. Esse primeiro contato pode fazer diferença antes mesmo da equipe chegar.

O que muda para a rede de saúde e para o cidadão

O aumento das chamadas falsas ou indevidas pressiona uma rede que já precisa responder a casos graves todos os dias. Em janeiro de 2026, dados divulgados pelo Samu apontaram mais de 184 mil chamadas em Minas, sendo cerca de 5% classificadas como trotes ou ligações sem emergência. Na prática, isso representa milhares de atendimentos que exigiram triagem sem que houvesse uma necessidade real de socorro. Para a população, o efeito não aparece em uma conta de luz ou em um boleto, mas surge no tempo de espera, na sobrecarga dos profissionais e na dificuldade de manter resposta rápida em todas as regiões.

A responsabilidade não é apenas do governo ou das equipes de saúde. Famílias, escolas, empresas, motoristas, comerciantes e comunidades também têm papel direto na redução dos trotes. Pais e responsáveis precisam explicar às crianças que o 192 não é número para brincar. Escolas podem trabalhar o tema em educação cidadã. Empresas com equipes de campo, transporte ou obras devem orientar funcionários sobre quando acionar o serviço. Em Minas, onde rodovias, áreas industriais, fazendas e centros urbanos convivem lado a lado, saber usar corretamente o Samu é uma forma simples de proteção coletiva.

Outro ponto importante é a confiança no sistema. Quando a população usa o 192 de forma correta, a central consegue priorizar melhor quem precisa de atendimento imediato. Isso ajuda tanto quem mora na Região Metropolitana de BH quanto quem depende de bases regionais no interior. O Samu não substitui toda a rede de saúde, mas é peça essencial quando o tempo é decisivo. Por isso, a campanha contra trotes não deve ser vista como bronca burocrática. Ela é um pedido direto para que o telefone esteja livre quando alguém realmente precisar.

Em Minas Gerais, o recado é claro: o 192 existe para urgência, não para curiosidade, brincadeira ou pedido sem gravidade. O dado de 92 mil ligações falsas ou indevidas em 2025 mostra que o problema já passou do limite do “caso isolado”. Para o mineiro, a orientação prática é guardar o número, ensinar crianças e idosos da família a usá-lo corretamente e acionar o Samu apenas quando houver risco real à saúde. Em emergência, fale com calma, informe endereço, explique os sintomas e siga as orientações. Uma ligação responsável pode liberar a linha para quem precisa, acelerar o atendimento e, em muitos casos, ajudar a salvar uma vida.

Fontes:
Agência Minas — Trotes ao Samu colocam vidas em risco e atrasam atendimentos de urgência
Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais — Trotes ao Samu colocam vidas em risco e atrasam atendimentos de urgência em Minas
IBGE — Minas Gerais | Cidades e Estados
Hoje em Dia — Samu recebe 300 trotes por dia em Minas

Autor: Diego Velázquez

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