Tornar-se juiz de Direito no Brasil é um dos percursos mais longos e exigentes entre as carreiras públicas do país. Antes de assumir qualquer vara, o candidato precisa superar um concurso conhecido por sua alta taxa de reprovação, seguido de um período extenso de preparação que, para muitos, consome anos de dedicação quase exclusiva aos estudos jurídicos, muitas vezes em detrimento de outras esferas da vida pessoal e profissional.
Esse tipo de trajetória, vivida por magistrados como o Doutor Valdemir Ferreira Santos, ajuda a explicar por que a magistratura costuma ser vista como uma das carreiras mais competitivas dentro do universo jurídico brasileiro, exigindo não apenas conhecimento técnico aprofundado, mas também resiliência diante de um processo seletivo notoriamente demorado e desgastante.
As etapas de um concurso para magistratura
Os concursos para ingresso na magistratura estadual costumam ser organizados em múltiplas fases: provas objetivas, provas dissertativas, exame de títulos, avaliação psicológica, investigação social e sindicância da vida pregressa do candidato, além de exame de saúde física e mental. Cada uma dessas etapas elimina parte dos concorrentes, o que torna o processo seletivo como um todo consideravelmente mais longo do que a maioria dos concursos públicos brasileiros disponíveis atualmente.
Diferente de outras carreiras jurídicas, a magistratura exige do candidato experiência prévia mínima na área jurídica, geralmente comprovada por tempo de exercício da advocacia ou de outra função jurídica, o que significa que ninguém chega a esse concurso recém-formado, sem qualquer vivência prática anterior na profissão que pretende exercer dali em diante.
Por que esse processo é tão rigoroso?
A exigência elevada não é acidental. Um juiz de Direito exerce uma função que envolve decidir sobre liberdade, patrimônio e direitos fundamentais de outras pessoas, o que justifica um processo seletivo capaz de avaliar não apenas conhecimento técnico, mas também aspectos como equilíbrio emocional, conduta ética e capacidade de tomar decisões sob pressão, características difíceis de mensurar apenas por meio de provas escritas tradicionais.
Segundo Valdemir Ferreira Santos, esse tipo de exigência ampla reflete uma preocupação institucional recorrente na magistratura brasileira: garantir que quem assume a função de julgar tenha, além de domínio da lei, maturidade suficiente para lidar com a responsabilidade envolvida em cada decisão proferida ao longo de toda a carreira profissional que se inicia após a aprovação.

A preparação que antecede a aprovação
Para a maioria dos candidatos, a preparação para esse tipo de concurso se estende por anos, exigindo dedicação intensa ao estudo de disciplinas variadas do Direito, muitas vezes conciliada com a própria atuação profissional na advocacia ou em outras funções jurídicas paralelas. Esse período de preparação prolongada é, para muitos, tão desafiador quanto a própria aprovação final no concurso.
Todo magistrado em atividade hoje no país, incluindo Valdemir Ferreira Santos, também precisou atravessar esse tipo de percurso antes de assumir a função que exerce atualmente, período que, embora não fale por si só sobre a trajetória posterior de cada um, costuma marcar profundamente a relação de cada profissional com a própria carreira jurídica escolhida.
O peso emocional de um processo seletivo tão longo
Além do desgaste técnico, esse tipo de concurso impõe também um desgaste emocional considerável, já que muitos candidatos precisam tentar mais de uma vez antes de conseguir aprovação, lidando com frustrações sucessivas ao longo do caminho. Essa realidade é pouco discutida publicamente, mas faz parte da experiência de boa parte dos magistrados em atividade hoje no Brasil, independentemente do tribunal ou do estado em que atuam.
Superar esse tipo de desafio exige não apenas preparo técnico, mas também uma dose considerável de perseverança, características que tendem a acompanhar o magistrado muito além da aprovação, moldando a forma como ele lida com a pressão e a cobrança que também fazem parte da rotina posterior ao ingresso na carreira.
Um concurso que também seleciona vocação
Mais do que testar conhecimento técnico, o processo seletivo para a magistratura acaba funcionando como um filtro de vocação: poucos candidatos que ingressam nesse caminho o fazem sem um interesse genuíno e duradouro pela função de julgar, dado o tempo e o esforço exigidos ao longo de todo o percurso até a aprovação final no concurso.
Essa jornada, uma vez conhecida, ajuda o público a valorizar melhor o trabalho de quem atravessa esse tipo de processo seletivo. É essa mesma exigência que Valdemir Ferreira Santos reconhece como uma das etapas mais determinantes na formação de qualquer magistrado, construída ao longo de anos de estudo e dedicação profissional.